domingo, 21 de novembro de 2010

PARAQUEDAS

Brinquedo fácil de fazer, simples que necessita de pouco material.


Material: Sacola plástica, linha, tesoura, um boneco pequeno (que vai servir de contra peso).

Como Fazer: Cortar as alças e o fundo da sacola plástica. Cortar a sacola ao meio.
Depios de tudo cortado, amarra as 4 pontas da sacola plástica com a linha, 4 fios do mesmo tamanho.

Agora é só amarrar seu bonequinho aos 4 fios juntos, e partir para a brincadeira.





Aluno cortando a alça da sacola plástica.




Alunos se ajudando para cortar o fundo da sacolas plástica.



      

Alunas amarrando as pontas da sacola plástica com um dos 4 fios.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Abordagens pedagógicas em educação física

           As abordagens pedagógicas da Educação Física podem ser definidas como movimentos engajados na renovação teórico - prático com o objetivo de estruturação do campo de seus conhecimentos que são específicos da educação física.
        Para apresentação das principais abordagens presentes na Educação Física, desenvolvimentista, construtivista, critico - superadora, farei uso das informações contidas no quadro apresentado por DARIDO (2003).
Abordagem desenvolvimentista 
         Tem como seu conteúdo habilidades básicas, habilidades especificas, jogo, esporte e dança. Sua finalidade é a adaptação aos valores presentes na sociedade, para isso fazem uso da equifinalidade, variabilidade, solução de problemas. A temática principal fica por conta das habilidades, aprendizagem e desenvolvimento motor.

Abordagem construtivista
        Tem como seu conteúdo brincadeiras populares, jogo simbólico e jogo de regras. Sua finalidade é a construção do conhecimento através do resgate de conhecimento do aluno para a solução de problemas. A temática principal fica por conta da cultura popular, do jogo e do que é lúdico.
Abordagem critico - superadora
        Tem como seu conteúdo os conhecimentos sobre o jogo, esporte, dança e ginástica. Sua finalidade é a transformação social, para isso usam uma tematização da aula. A temática principal é a cultura corporal em uma visão holística.

Abordagem dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs

        Os parâmetros curriculares nacionais tem suas origens na Europa, mais especificamente na Espanha. Tem como objetivo principal a busca por uma sistematização da Educação através de temas transversais para a promoção de uma interdisciplinaridade. No Brasil, como afirma DARIDO (2003)
os PCNs acreditam que eleger a cidadania como eixo norteador significa entender que a educação física na escola é responsável pela formação de alunos que sejam capazes de participar de atividades corporais, adotando atitudes de respeito mutuo, dignidade e solidariedade,...
        Além das abordagens apresentadas no texto, ainda existem outros movimentos que podem ou não serem sugeridos como abordagens pedagógicas para a educação física, como apresenta DARIDO (2003). São elas as abordagens, sistêmica, critico emancipatória, jogos cooperativos, saúde renovada. Além das que será tratada ainda neste artigo que é a abordagem cultural.

Especificidade pedagógica, pratica escolar e objetivos da educação física: reflexões a partir da Abordagem Cultural.
     
        Afinal, qual é a especificidade da educação física? Qual seria essa sua prática pedagógica? Diferentes respostas a essas questões foram levantadas por cada abordagem desenvolvida durante os anos de "crise" da Educação Física.
       Talvez a especificidade da educação física esteja atrelada a idéia de DAÓLIO (2003) que pensa a educação física como uma construção social, tal como a concepção de corpo que ela difunde entre seus profissionais. Essa reflexão se torna muito forte no momento em que é vista a partir das diferentes construções do corpo durante o período de nossa história social. O processo civilizador, apresentado por ELIAS (1990), deixa claras as transformações de uso do corpo no dia a dia da sociedade, em diferentes países, porém todos sob a influência dos costumes que se construíam na França em uma tentativa da nobreza em se manter diferente do povo. MAUSS (1974) também apresenta diferentes técnicas corporais que pode observar, desde as diferenças entre os ritmos de marcha entre os exércitos da Inglaterra e da França, até a maneira de aborígines australianos dormirem. Todos estes aspectos que fazem parte de uma constante construção cultural, particular a cada povo, onde se apresenta diferentes soluções para situações que podem ser julgadas como iguais.

domingo, 14 de novembro de 2010

COMO AVALIAR EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Como avaliar na Educação Física
Esqueça uniforme, frequência ou "veia" de campeão. Para levar os alunos a conhecer o próprio corpo, o melhor caminho é diagnóstico prévio e análise constante
Cristiane Marangon (novaescola@atleitor.com.br)
Na Educação Física a avaliação é a chance de verificar se o aluno aprendeu a conhecer o próprio corpo e a valorizar a atividade física como fator de qualidade de vida. Portanto, nada de considerar apenas a frequência às aulas, o uniforme ou a participação em jogos e competições - nem comparar os que têm "veia" de campeão com os que não têm. Não há uma única fórmula pronta para avaliar, mas é essencial detectar as dificuldades e os progressos dos estudantes. "O mais indicado é não utilizar um só padrão para todos, mas fazer um diagnóstico inicial para poder acompanhar o desenvolvimento de cada um", resume Alexandre Moraes de Mello, diretor da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Em fichas, a evolução 
Cleverson da Silva, professor do Colégio Estadual Núcleo Social Yvone Pimentel, em Curitiba, sempre verifica a condição física de seus alunos. No começo de 2002 ele notou que Karoline Pialecki, da 6ª série, tinha pouca flexibilidade para a idade e as condições físicas. Silva deu alongamentos em todas as aulas e, em agosto, repetiu o teste (fotos ao lado). A menina tinha evoluído 11 pontos. "Hoje o passatempo dela e das amigas é fazer exercícios na hora do intervalo", diz. Para perceber os avanços de cada aluno, Silva criou fichas em que anota a evolução aula por aula. Outros instrumentos muito úteis são relatórios, dinâmicas, redações e auto-avaliações.

O caminho das pedras
Na Educação Física, como em todas as outras áreas, para avaliar bem é preciso definir os objetivos, pois eles determinam o conteúdo a ser trabalhado e os critérios para observar a evolução da aprendizagem. Exemplos: descobrir o próprio corpo para utilizá-lo melhor em atividades motoras básicas (correr, saltar) ou específicas (passes no basquete ou handebol, chutes no futebol) e compreender e respeitar as regras de um jogo e agir cooperativamente.

As primeiras aulas funcionam como referência, para que o professor faça a análise inicial da turma, observando e registrando as características de cada estudante. Independentemente de o grupo conhecer ou não a atividade, é preciso explicar, desde o início, os motivos pelos quais ela faz parte do programa, quais os movimentos, as capacidades e as habilidades que serão trabalhados e que aspectos serão avaliados, coletiva e individualmente. "O estudante precisa conhecer quando e como será julgado", explica Caio Martins Costa, consultor na área de Educação Física do Colégio Friburgo, em São Paulo.


Prazer de ver avançar quem tem pouca aptidão
É comum o professor de Educação Física encher os olhos quando vê alunos habilidosos nos esportes. Alexandre Moraes de Mello propõe olhar também de modo inverso.

"A criança com pouca vivência motora é a mais importante para o trabalho docente, justamente porque representa um desafio", diz. Com esse tipo de estudante é preciso aplicar métodos adequados para trabalhar suas dificuldades específicas. Mello afirma que agir dessa maneira compensa, pois o prazer de ver o crescimento do estudante não tem preço.
Os três focos 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais de avaliação na Educação Física:


Valorização da cultura corporal de movimento É importante avaliar não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. Relevante também é seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras, excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora da escola.

Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida
  É necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da cultura corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito mais amplo, de qualidade de vida.
Realização das práticas É preciso observar primeiro se o estudante respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as dos colegas) e como participa dentro do grupo. Em segundo lugar vem o saber fazer, o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas atividades quanto na organização das mesmas. O professor deve estar atento para a realização correta de uma atividade e também como um aluno e o grupo formam equipes, montam um projeto e agem cooperativamente durante a aula.
Quer saber mais?
Caio Martins Costa, e-mail: caiomc@uol.com.br
Colégio Estadual Núcleo Social Yvone Pimentel, R. Sebastião Malucelli, 532, 81050-270, Curitiba, PR, tel. (0_ _41) 246-3945

BIBLIOGRAFIA
A Prática Educativa, Antoni Zabala, 224 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 34 reais
Educação de Corpo Inteiro: Teoria e Prática da Educação Física, João Batista Freire, 224 págs., Ed. Scipione, tel. (0_ _11) 3277-1788, 20,90 reais
Metodologia do Ensino de Educação Física, vários autores, 120 págs., Ed. Cortez, tel. (0_ _11) 3864-0111, 16 reais
Psicomotricidade, Educação Física e Jogos Infantis, Alexandre Moraes de Mello, 96 págs., Ed. Ibrasa, tel. (0_ _11) 3107-4100,18 reais 

sábado, 30 de outubro de 2010

DODGEBALL

Dodgeball é um jogo parecido com a queimada, onde se joga 2 equipes com 6 jogadores cada. No centro da quadra, que pode ser a quadra de volei são colocadas 6 bolas.

Os jogadores deverão ficar com os pés na linha de fundo da quadra, e ao sinal do Professor deverão correr até as bolas, e iniciar o jogo.




 Cada jogador queimado está eliminado, só podendo voltar se algum jogador da sua equipe conseguir segurar a bola sem que ela bata no chão.
A equipe que conseguir queimar a outra primeiro, será a vencedora.




"VAMOS JOGAR E NOS DIVERTIR, AFINAL ISSO É DODGEBALL."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O JOGO E A EDUCAÇÃO INFANTIL

Pedagogos e psicólogos estão de acordo em que o Jogo Infantil é uma atividade física e mental que favorece tanto o desenvolvimento pessoal como a sociabilidade, de forma integral e harmoniosa. A criança evolui com o jogo e o jogo da criança vai evoluindo paralelamente ao seu desenvolvimento, ou melhor, dizendo, integrado ao seu desenvolvimento.
Independente de época, cultura e classe social, os jogos e os brinquedos fazem parte da vida da criança, pois elas vivem num mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonhos, onde realidade e faz-de-conta se confundem. (Kishimoto, 1999).
O jogo está na gênese do pensamento, da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo.
O caráter de ficção é um dos elementos constitutivos do jogo e, é um modo de expressão de grande importância, pois também pode ser entendido como um modo de comunicação em que a criança expressa os aspectos mais íntimos de sua personalidade e sua tentativa de interagir com o mundo adulto.
Pelo jogo as crianças exploram os objetos que os cercam, melhoram sua agilidade física, experimentam seus sentidos, e desenvolvem seu pensamento. Algumas vezes o realizarão sozinhos, em outras, na companhia de outras crianças, desenvolvendo também o comportamento em grupo. Podemos dizer que aprendem a conhecer a si próprios, ao mundo que os rodeia e aos demais.
Vygotsky (1987) afirma que na brincadeira “a criança se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário; no brinquedo, é como se ela fosse maior do que ela é na realidade” (p.117). Em sua visão, a brincadeira cria uma zona de desenvolvimento proximal favorecendo e permitindo que as ações da criança ultrapassem o desenvolvimento real já alcançado permitindo-lhe novas possibilidades de ação sobre o mundo.

Huizinga (1980) filósofo da história, em 1938, escreveu seu livro “HOMO LUDENS” no qual argumenta que o jogo é uma categoria absolutamente primária da vida, tão essencial quando o raciocínio (HOMO SAPIENS) e a fabricação de objetos (HOMO FABER), então a denominação HOMO LUDENS, quer dizer que o elemento lúdico está na base do surgimento e desenvolvimento da civilização.
Huizinga define jogo como: “uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente de vida cotidiana.”
O jogo da criança não é equivalente ao jogo para o adulto, pois não é uma simples recreação, o adulto que joga afasta-se da realidade, enquanto a criança ao brincar/jogar avança para novas etapas de domínio do mundo que a cerca.
Também a auto-estima, uma das condições do desenvolvimento normal, tem sua gênese na infância em processos de interação social – na família ou na escola – que são amplamente proporcionados pelo brincar.
É de grande importância que os professores compreendam e utilizem o jogo como um recurso privilegiado de sua intervenção educativa.
O papel do professor
Apesar do jogo ser uma atividade espontânea nas crianças, isso não significa que o professor não necessite ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive, uma atitude de observação que lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com que trabalha.
Podemos sintetizar algumas funções do professor frente aos jogos:
Providenciar um ambiente adequado para o jogo infantil
A criação de espaços e tempos para os jogos é uma das tarefas mais importantes do professor, principalmente na escola de educação infantil. Cabe-lhe organizar os espaços de modo a permitir as diferentes formas de jogos, de forma, por exemplo, que as crianças que estejam realizando um jogo mais sedentário não sejam atrapalhadas por aquelas que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de movimentos.
Selecionar materiais adequados
O professor precisa estar atento à idade e às necessidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam, pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças. A sucata, é um exemplo de material que preenche vários destes requisitos.
Permitir a repetição dos jogos
As crianças sentem grande prazer em repetir jogos que conhecem bem. Sentem-se seguras quando percebem que contam cada vez com mais habilidades em responder ( ou executar) o que é esperado pelos outros; sentem-se seguras e animadas com a nova aprendizagem.
Enriquecer e valorizar os jogos realizados pelas crianças
Uma observação atenta pode indicar os professor que sua participação seria interessante para enriquecer a atividade desenvolvida, introduzindo novos personagens ou novas situações que tornem o jogo mais rico e interessante para as crianças, aumentando suas possibilidades de aprendizagem. Valorizar as atividades das crianças, interessando-se por elas, animando-as pelo esforço, evitando a competição, pois em jogos não competitivos não existem ganhadores ou perdedores. Outro modo de estimular a imaginação das crianças é servir de modelo, brincar junto ou contar como brincava quando tinha a idade delas. Muitas vezes o professor, que não percebe a seriedade e a importância dessa atividade para o desenvolvimento da criança, ocupa-se com outras tarefas, deixando de observar atentamente para poder refletir sobre o que as crianças estão fazendo e perceber seu desenvolvimento, acompanhar sua evolução, suas novas aquisições, as relações com as outras crianças, com os adultos. Para tanto, pode ser elaborada uma planilha, um guia de observação que facilite o trabalho do professor.
Ajudar a resolver conflitos
Durante certos momentos dos jogos acontecem com certa freqüência pequenos conflitos entre as crianças. A atitude mais produtiva do professor é conseguir que as crianças procurem resolver esses conflitos, ensinando-lhes a chegar a acordos, negociar e compartilhar.
Respeitar as preferências de cada criança
Através dos jogos cada criança terá a oportunidade de expressar seus interesses, necessidades e preferências. O papel do professor será o de propiciar-lhes novas oportunidades e novos materiais que enriqueçam seus jogos, porém, respeitando os interesses e necessidades da criança de forma a não forçá-la a realizar determinado jogo ou participar de um jogo coletivo.
Não reforçar papéis sexistas/e ou outros valores do professor
"Os brinquedos aparecem no imaginário dos professores de educação infantil como objetos culturais portadores de valores considerados inadequados. Por exemplo, bonecas Barbies devem ser evitadas por carregar valores americanos. Bonequinhos guerreiros , tanques, armamentos e outros brinquedos, com formas bélicas, recebem o mesmo tratamento por estarem associados à reprodução da violência. Brincadeiras de casinhas com bonecas devem restringir-se ao público feminino. Brincadeiras motoras, com carrinhos e objetos móveis, pertencem mais ao domínio masculino. Crianças pobres podem receber qualquer tipo de brinquedo, porque não dispõem de nada. A pobreza justifica o brincar desprovido de materiais e a brincadeira supervisionada. Escolas representadas por diversas etnias começam a introduzir festas folclóricas, com danças, comidas típicas, como se a multiculturalidade pudesse ser resumida e compreendida como algo turístico, pelo seu lado exótico, apenas por festas e exposições de objetos típicos, não contemplando os elementos que caracterizam a identidade de cada povo. Enfim, são tais atitudes que demonstram preconcepções relacionadas à classe social, ao gênero e à etnia, e tentam justificar propostas relacionadas às brincadeiras introduzidas em nossas instituições de educação infantil". (Kishimoto, 1999)
Tanto meninos quanto meninas expressam através de seus jogos grande parte dos usos e relações sociais que conhecem. O jogo é, por sinal, um meio extraordinário para a formação da identidade e a diferenciação pessoal. Entretanto, os professores precisam ser bastante cuidadosos e sensíveis para não reproduzir através de seus valores, os papéis sexistas tradicionais. Neste sentido possibilitar que meninos e meninas joguem juntos, evitando expressões como "os meninos não jogam...." ou, "isto não é para uma menina...", estimulando e favorecendo o crescimento e a identidade tanto de meninos como meninas, sem reforçar esteriótipos sociais, ainda existentes em muitas regiões do país ou arraigados em certas culturas.
Bibliografia:
HUIZINGA,J. “Homo Ludens – O Jogo como elemento da Cultura” Ed. Perspectiva
KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3ª edição, SP: Cortez, 1999.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

"Brincar não é perder tempo, é ganhá-lo. É triste ter meninos sem escola, mas mais triste é vê-los enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação humana". Carlos Drummond de Andrade
"Através de uma brincadeira de criança, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo- o que ela gostaria que ele fosse, quais suas preocupações e que problemas a estão assediando. Pela brincadeira, ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Nenhuma criança brinca só para passar o tempo, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos". Bruno Bettelheim

" Brincar é um componente crucial do desenvolvimento, pois, através do brincar a criança é capaz de tornar manejáveis e compreensíveis os aspectos esmagadores e desorientadores do mundo. Na verdade, o brincar é um parceiro insubstituível do desenvolvimento, seu principal motor. Em seu brincar, a criança pode experimentar comportamentos, ações e percepções sem medo de represálias ou fracasso, tornando-se assim mais bem preparada para quando o seu comportamento 'contar'". Howard Gardner
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Vera Lúcia Camara F. Zacharias é mestre em educação, pedagoga, consultora em educação, com vasta experiência na área educacional em geral, e na assessoria e capacitação de profissionais das mais diversas áreas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Professor Nota 10...2009

Projeto: Chaturanga
Professor: Sérgio Jesus de Andrade
Disciplina: Educação Física Escolar
Faixa Etária: 2º e 3º Anos do Ensino Fundamental
                                                                                          
JUSTIFICATIVA
O Projeto nasceu de uma conversa entre professores, equipe gestora e alunos, da EMEB Prof. Geraldo Pinto Duarte Paes, onde as aulas de Educação Física têm um formato diferenciado das demais escolas da rede municipal de ensino da cidade de Jundiaí, sendo ministradas em formato de oficinas específicas. Nesta escola os alunos vivenciam diferentes oficinas, entre elas a oficina Corpo e Movimento onde foi desenvolvido o Projeto Chaturanga.
Com a reforma da quadra; o pouco espaço para as aulas de educação física; combinado com a falta de rendimento dentro de sala devido ao pouco nível de atenção dos alunos; as altas temperaturas do início do ano letivo e pensando em proporcionar aulas que fossem interessantes e significativas, que os alunos conseguissem desenvolver habilidades e competências, decidi construir este projeto de xadrez, possibilitando que os alunos participassem de atividades físicas constantes nas expectativas de aprendizagem da escola, com estratégias diferenciadas do currículo escolar.
Dentro do projeto da escola, “Respeito de Todo jeito”, que visa tornar nossos alunos cidadãos autônomos, e capazes de tomar decisões acertadas nas suas vidas, optei pelo xadrez, que é um jogo com infinitas possibilidades de jogadas e entre todas você sempre precisa escolher a melhor, sendo ainda um jogo que desperta a imaginação e a atenção de milhões de jogadores desde a sua criação.
OBJETIVOS, CONTEÚDOS CURRICULARES, METODOLOGIA
Neste relato optei por utilizar os objetivos, conteúdos curriculares e metodologia em uma só parte, tendo em vista que o projeto se deu de forma uniforme e dinâmica.
O principal objetivo deste trabalho é de ser uma proposta diferenciada. Sendo assim, realizei com os alunos, um levantamento sobre tudo que gostariam de aprender. Dentre tantas propostas sugeridas, optei por uma que fosse inovadora, em que eles não tinham muito conhecimento. Para minha satisfação, surgiu o xadrez, que além de ser uma proposta desafiadora é estimulante.
Desafio lançado: conseguir aplicar um conteúdo novo para 250 alunos de 2º e 3º anos do ensino fundamental. O xadrez, que dentro de tantas outras qualidades, desenvolve a capacidade de concentração e raciocínio nos alunos.
No primeiro momento foi realizado levantamento de conhecimentos prévios, oralmente e em situação de jogo. Muitos não sabiam como era o jogo e nem como se jogava, alguns não tinham nunca visto um tabuleiro, outros alunos já sabiam jogar. Após esta etapa, iniciou-se a apresentação do tabuleiro e das peças aos alunos, por meio de uma história. O tabuleiro foi montado passo a passo, assim como o movimento das peças. Os alunos foram se envolvendo com toda a história, perguntando, participando das aulas, sempre com vontade de saber mais e conhecer o movimento de todas elas para que pudessem jogar de acordo com as regras próprias do jogo.
Ao final da etapa de conhecimento das peças e montagem do tabuleiro, era hora de jogar, colocar em prática o que foi aprendido nas aulas anteriores. Para minha surpresa e satisfação uma boa parcela dos alunos assimilou o conteúdo, e o jogo corria solto nas salas de aula.
As oficinas de xadrez tiveram duração de dois meses, totalizando oito aulas, que aconteceram uma vez por semana, agregadas ao planejamento de Educação Física.
As aulas foram teóricas e práticas. Trabalhamos em sala de aula e na lousa interativa. No início de todas as aulas foram distribuídos aos alunos os tabuleiros e as peças do xadrez para que as crianças se apropriassem do jogo.
As oficinas foram desenvolvidas da seguinte forma:
1ª oficina: Conhecimento da história do jogo: Li para os alunos a história do pequeno Yuri, que no dia de seu aniversário ganhou de seus pais um jogo de xadrez. Dentro do texto já destaquei algumas peças e características do jogo, que fui elencando juntamente com os alunos na lousa, para posteriormente conversar com eles sobre as mesmas. Uma coisa que chamou muita atenção dos alunos foi o fato do xadrez atual ter o nome de “Chaturanga”.
2ª oficina: Conhecimento do tabuleiro e das peças: Na lousa interativa apresentei para os alunos um desenho intitulado “Geri´s game” no qual um velhinho joga xadrez sozinho. Voltamos à sala e discutimos os aspectos do desenho, depois eu desenhei um tabuleiro na lousa, e contei uma história de um casamento entre o rei e a dama. Peça a peça fomos, eu e os alunos montando o tabuleiro. Ao final da história os alunos sozinhos, em um primeiro momento e depois em duplas montaram novamente o tabuleiro para assimilação de todos e também para a colocação das peças.
3ª oficina: As peças e suas movimentações (peão e torre): A partir deste momento a maioria dos alunos já tinha conhecimento de como se montava o tabuleiro. Era hora de começar a conhecer os movimentos das peças. Com ajuda dos alunos, montamos um teatro, desta forma as peças começavam a ganhar vida, deixaram de ser simples peças colocadas no tabuleiro, afinal agora elas se movimentavam. Um fato que me chamou muito a atenção foi o aluno Mateus do 3º ano, que era agitadíssimo em sala, ele ficou pacientemente ensinando a aluna Morine que estava com dificuldade em aprender a movimentação e captura pelo peão. Depois de explicado as movimentações de peão e torre os alunos realizaram então, um jogo com estas peças, o jogo da torre e do peão, onde eles mostravam o conhecimento adquirido na aula.
4ª oficina: As peças e suas movimentações (bispo e cavalo): Em um primeiro momento os alunos, sempre sentados em duplas, montavam seus tabuleiros com todas as peças, depois retiravam as peças que não seriam utilizadas no momento. Iniciei as intervenções com as peças bispo e cavalo. Mostrei para os alunos como se movimentavam as duas peças. O cavalo foi muito mais fácil para os alunos, pois sua movimentação em “L”, construindo a palavra “CA-VA-LO”. O que mais se ouvia na sala de aula era os alunos repetindo “- CA-VA-LO”.
No decorrer desta oficina surgiu uma necessidade! Os alunos queriam jogar em suas casas, mas seus familiares não sabiam. Lançamos um desafio, no qual os alunos deveriam ensinar seus familiares. Nesta etapa o projeto já estava tomando outras proporções, a de reunir a família para aprenderem juntos o jogo do xadrez e colocarem em prática entre elas.
5ª oficina: As peças e suas movimentações (dama e rei): Por fim era hora de encher o tabuleiro que ainda tinha algumas casas vazias. Usei algumas estratégias como: o rei que é o dono do reino, não pode se cansar muito por isso ele anda uma casa só. A dama é a protetora do rei precisa ser rápida, por isso anda mais casas e para todos os lados. Pronto! Nosso tabuleiro estava montado, todas as peças prontas para o jogo. Agora era hora de ver o conhecimento que os alunos conseguiram adquirir de tudo que foi passado até o momento. Fomos ao jogo. Todos os alunos em duplas se cumprimentaram e começaram a jogar, neste momento surgiram vários questionamentos. “- Professor, como se movimenta o peão mesmo?” Para minha surpresa o próprio parceiro explicaria, “- Ele anda pra frente e captura para os lados.” Conteúdo assimilado pude continuar com as aulas.
6ª oficina: Abertura e primeiros passos do jogo: Os alunos já tinham conseguido entender a dinâmica do jogo, mas era preciso saber os atalhos, como iniciar uma boa partida. Depois de montado o tabuleiro, fui explicando sua principal parte, o centro, Mostrei aos alunos que quem conseguisse dominar primeiro esta parte teria mais chances de ter sucesso. Fiz uma analogia com o futebol, onde o time que consegue dominar o centro do campo consegue mais sucesso. Coloquei para os alunos que neste processo a atenção é fundamental.
A atividade do projeto caminhava a todo vapor, decidimos então realizar um festival de xadrez em duplas, no qual cada aluno poderia participar com algum membro da sua família.
Neste momento surgiu mais uma necessidade: os tabuleiros que tínhamos na escola não seriam suficientes para a realização do festival. Entramos em contato com o Projeto Pintando a Liberdade, do Governo Federal e solicitamos mais tabuleiros para nossa escola, Fomos prontamente atendidos. Agora sim poderíamos realizar nosso festival.
Organizei com a ajuda da escola as inscrições para o 1º festival de xadrez de duplas. As mesmas foram enviadas através dos alunos para casa.
7ª oficina: Prática do jogo, xeque e xeque-mate: Os alunos já retinham muitas informações do jogo, já conseguiam desenvolvê-lo. Era momento de saber finalizá-lo, ou seja, conseguirem dar um “xeque” no adversário. Foi o máximo! Outra vez ouvi o borbulho na sala, -“xeque”, “xeque-mate”. Aos poucos eles foram entendendo como podiam evitar e como também se livrar de um “xeque”. O jogo tomou forma nas salas, os alunos estavam prontos para o grande desafio. Era preciso ensinar seus pais a jogar, para daí juntos jogarem no 1º Festival de Xadrez em duplas da escola, que estava se aproximando.
8ª oficina: Prática do jogo e encerramento do Projeto. Na última semana do projeto os alunos tiraram suas duvidas. Estavam ansiosos para o dia do festival. Na finalização do projeto realizou-se um festival em duplas entre pais e alunos, neste festival participaram aproximadamente 300 pessoas.
Com as inscrições previamente feitas, os espaços foram organizados separando as turmas por séries: uma sala para as duplas dos segundos anos e dos terceiros anos. As mesas e tabuleiros estavam prontos, só aguardando os jogadores. Iniciou-se as partidas. As duplas revezaram-se nos tabuleiros. Várias partidas aconteceram ao mesmo tempo. Em uma noite fria e chuvosa todos participaram envolvidos, no final do festival todos os alunos participantes receberam uma medalha e seus pais receberam um texto sobreo projeto, como prêmio de participação.
O 1º festival de xadrez de duplas da EMEB Prof. Geraldo Pinto Duarte Paes, como foi intitulado, aconteceu no dia 24/04/09, no período noturno recebendo pais e filhos. Para sua realização, o evento contou com a colaboração de toda equipe escolar, que proporcionou a todos os presentes, momentos ricos de imensa integração entre escola, pais e comunidade.
AVALIAÇÃO
O projeto teve início em Março do ano corrente, sendo desenvolvido dentro da oficina de Corpo e Movimento. Em um primeiro momento conquistei os alunos para a prática do xadrez. Trouxe personagens que fossem palpáveis para os alunos com os quais eles conseguissem assimilar o conteúdo.
A cada oficina era realizada uma avaliação de todo conteúdo apresentado, para que fosse possível verificar o conteúdo que os alunos tinham retido, e se já podia passar para a próxima oficina ou teria que retomar algum conteúdo, pois as aulas seguintes sempre dependiam de um conhecimento adquirido em aulas anteriores, a avaliação foi feita em sala, com perguntas relativas ao conteúdo da aula, e em jogos relativos as peças com as quais estávamos trabalhando no dia.
Os alunos foram responsáveis pela avaliação, pois jogavam em duplas e tinham a chance de sempre estar observando as jogadas do adversário. Uma fala que ficou fixada pelos alunos é “- Para você jogar bem precisa sempre ajudar o seu adversário, quanto mais ele aprende mais você precisa aprender também.”
A avaliação do projeto é positiva, os alunos de um modo geral conseguiram assimilar os conteúdos. No decorrer do percurso os alunos demonstraram grande vontade de começar a praticar o jogo em casa com seus familiares, mas foi encontrada uma barreira, seus familiares não sabiam jogar xadrez, lançamos uma proposta para os alunos, ensinar seus familiares a jogar, para que todos pudessem aprender, e juntos jogar, assim conseguimos fazer um elo de aprendizagem: escola-família-escola. Os alunos ficaram muito entusiasmados com os avanços no jogo, eles aprendiam na escola e tinham a oportunidade de ensinar em seus lares.
Inicialmente faríamos um festival interno com os alunos, como fechamento e avaliação final do projeto, mas devido às proporções que o projeto tomou, no qual os alunos jogavam não somente dentro das salas de aula, mas também em seus lares com seus familiares, propus um festival em duplas, em que cada aluno participante jogaria com um familiar, os alunos toparam a idéia e o festival foi um sucesso!
AUTOAVALIAÇÃO
Desde 2006 desejava trabalhar xadrez nas minhas aulas, e nessa escola encontrei o espaço necessário, e no novo projeto que minha escola está desenvolvendo, este meu desejo se encaixou perfeitamente.
A minha maior satisfação foi perceber que as minhas aulas estavam sendo entendidas e os alunos estavam conseguindo captar o conteúdo apresentado. A avaliação que faço do projeto é muito positiva, pois percebi que os alunos em um primeiro momento tinham pouco conhecimento do xadrez, agora conseguem desenvolver o jogo sem grandes dificuldades. Umas das maiores satisfações foi o fato de uma mãe de um aluno do 3º ano, que também é professora de educação física, me falar que há tempos tentava ensinar seu filho a jogar e não tinha êxito, e em oito aulas ele conseguiu aprender o jogo e desenvolver sem problemas até ensinando ela a jogar.
Eu como Professor vejo que, todo processo foi positivo, tendo em vista o desafio que era grande no inicio do ano, uma escola nova, um projeto novo, e lançar uma nova proposta de ensino.
Desenvolver este projeto dentro da escola me fez repensar em muito na maneira de ensinar a educação física. Pude perceber que uma aula de educação física pode ser muito proveitosa e prazerosa longe das quatro linhas da quadra e que atividades diferenciadas chamam em muito a atenção dos alunos.
Nos dias de hoje é necessário refletir sobre as atividades corriqueiras, o xadrez traz esta possibilidade, onde o aluno reflete sobre seus atos.
É certo que precisaremos fazer alguns ajustes para o próximo ano, já que os alunos de 2º e 3º anos continuarão na escola. Os alunos já têm um conhecimento adquirido. para os novos alunos poderemos manter alguns aspectos importantes de aprendizagens citadas e vividas. Algumas aulas precisarão ser reformuladas e refeitas. Estes ajustes poderão ser relatados em um próximo projeto, como estou referindo-me a este, paro por aqui, sabendo que meus alunos tiveram a oportunidade de adquirir um novo conhecimento e que puderam ser propagadores de um conteúdo assimilado e aprendido dentro da sala de aula nas suas casas com seus familiares.